Como faz falta o Museu do lavrador

Por Albione Souza


  Inauguração do Museu do Lavrador (1983) 

O Museu do Lavrador foi idealizado por EUCLIDES NETO, durante a gestão do prefeito Hildebrando Nunes Rezende, por ocasião das comemorações do cinquentenário de emancipação política de Ipiaú, em 2 de dezembro 1983. O acervo, adquirido através de doações feitas pela comunidade, foi instalado no prédio da antiga prefeitura, dividindo o espaço com a Câmara Municipal. De acordo com o seu idealizador “o acervo traça muito bem a história de Ipiaú, principalmente o perfil do trabalhador rural e seus instrumentos de trabalho” (Euclides Neto). Ressalte-se que os objetos não se limitam apenas ao trabalhador da roça de cacau, mas, abrange as diversas atividades operárias que, através de suas profissões, prestaram e prestam serviços mediante a sua mão de obra. Exemplificando, encontram-se no Museu do Lavrador objetos representativos de variadas profissões: Músicos, ferreiros, alfaiates, sapateiros, farmacêuticos, tabeliões, vaqueiros, médicos, dentre outros, demonstrando a pluralidade dos labores que forjaram a “Região Cacaueira”. Em 2002, o Museu do Lavrador foi retirado do prédio da Câmara Municipal de Ipiaú, com a promessa de que seria reaberto, com manutenção adequada, à comunidade em melhores condições de funcionamento para visitações. Entretanto, esta promessa não foi cumprida, infelizmente.
Inauguração do Museu do Lavrador (1983) 

          O antigo local de funcionamento do Museu do Lavrador, primeiro prédio da Prefeitura Municipal de Ipiaú, atualmente serve como gabinetes dos vereadores. Bem que os gabinetes, que tiveram um alto custo ao erário, poderiam ser projetados em um espaço que respeitasse o Museu do Lavrador, patrimônio histórico cultural da Região Cacaueira. Infelizmente, optou-se pela saída mais insensível, em nome do progresso de alguns poucos (vereadores), outros tantos (da comunidade) tiveram seu único museu deletado do município. Afinal, os gestores públicos possuem as mesmas prerrogativas, mas poucos são lembrados pelas obras que atenda as carências culturais e socais das classes sociais menos favorecidas. Se por um lado, em sua grande maioria, os políticos utilizam as classes sociais excluídas e invisibilizadas apenas como massas de manobras para fins eleitoreiros. Por outro lado, Euclides Neto ficou preservado na memória de muitos, sobretudo dos humildes, não por ter dado esmolas ou exigido obediência e votos em troca de favores ou apadrinhamentos políticos. Ao contrário, “Dotô Ocridi”, como era chamado pelos trabalhadores anônimos, combateu este tipo de expediente, preferia agir produzindo oportunidades, estimulando a dignidade humana e autonomia, nada de cobrar em forma de votos a obra realizada, fazer propaganda eleitoral à custa da necessidade do próximo, isso é ridículo... Asqueroso! Euclides Neto nos quatro anos do seu mandato de prefeito (1963 a 1967), mesmo ameaçado pelo governo Militar de perder o mandato, acusado de práticas comunistas, deixou importantes legados: a Fazenda do Povo (Fundada em 06/1963, primeira iniciativa de Reforma por um prefeito no Brasil), a Fundação Hospitalar de Ipiaú, o Ginásio Agrícola Municipal de Ipiaú-GAMI (atual CEI), a Escola do Menor, o Bairro da Democracia, o Horto Florestal, o Parque de Exposições, abertura da estrada para Córrego de Pedras, consequentemente por tais obras, entre outras, Ipiaú recebeu com méritos o título de Município Modelo da Bahia, em Dezembro de 1966.  

                          
  Acerco do Museu do Lavrador no antigo prédio do Tiro de Guerra (2003) 

          No entanto, Além de uma vasta e rica literatura regionalista, o maior legado de Euclides Neto foram seus ideais de justiça e, ética, equidade social que perpassaram ao longo de sua vida. Como faz falta o Museu do Lavrador, imprescindível para a valorização da identidade cultural local e regional, além das visitações e aulas de campo com os estudantes da rede pública e privada. 

Acervo do Museu do Lavrador no antigo mercadão da praça Salvador da Mata (2014).

Um comentário:

  1. Triste um acervo histórico como esse estar sucateado e esquecido. Lembro das várias visitas que vazia com meus colegas do colégio Celestina no museu. As surpresas e admiração na descoberta daquelas peças, fotos, materiais... Espero um dia que o museu seja reativado. Mas... Até quando esperar? - Giva Moreira.

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